Uma visão anarquista no movimento canabista

Manifesto AnarcoKunk

AnarcoKunk É um coletivo anarquista formado no âmbito do movimento canabista. Se manifesta através de informativos impressos e virtuais, práticas de desobediência civil, ação direta, intervenções urbanas, guerrilha midiática e TP em locais públicos e privados. Tratamos da cultura canábica e sua ligação com outras lutas sociais. Falamos sobre maconha porque sabemos que a proibição dessa planta se relaciona com o racismo, controle social, criminalização da pobreza, influência da moral religiosa no Estado, criminalização dos movimentos sociais, consciência ecológica, violência policial e restrições a direitos básicos como saúde, liberdade de expressão, reunião e religião. O coletivo se organiza de forma horizontal, sem lideranças ou representantes oficiais. O zine AnarcoKunk é uma publicação sem qualquer tipo de interesse comercial, comprometimento com anunciantes ou aliados políticos de direita ou esquerda.

Contra a legalização. Entendemos o projeto de legalização da maconha como a tentativa de transferência do monopólio da produção e venda da planta que atualmente está com o mercado ilegal para as mãos do Estado ou industria, igualmente indignos de confiança e incapazes de atender nossas necessidades. Não vamos nos submeter as suas regras, interesses financeiros e equívocos administrativos para pautarmos nossas condutas pessoais e sociais. Não vamos esperar migalhas do governo, ou baixar a cabeça para a mão grande dos empresários, vamos desobedecer e confrontar. Queremos total autonomia. Não vamos nos submeter à qualquer tipo de cadastro ou monitoramento do Estado para obter maconha estatal, não vamos nos catalogar como doentes para termos acesso a maconha medicinal, nos recusamos a consumir maconha processada pela indústria do tabaco ou algo que o valha, nos recusamos a aceitar qualquer tipo de lei que venha normatizar nossas condutas enquanto cultivadores usuários ou vendedores de maconha autônomos.

Pela libertação da maconha. Com a proposta de libertação seguimos o caminho inverso dos grupos ativistas que defendem a legalização e regulamentação do cultivo, uso e venda da planta, endossando o discurso do Estado que afirma a necessidade da criação de uma serie novas leis e normas de conduta para que o uso da maconha possa ser feito de forma segura na sociedade. Sabemos que isso não é verdade, que os problemas de saúde e segurança pública relacionados à maconha são frutos de uma política governamental que prioriza a repressão ao invés da educação e prevenção. Trabalharemos nós pela educação e prevenção e exigimos que os cultivadores, usuários e vendedores da erva simplesmente deixem de ser perseguidos, e que a planta Cannábis Sativa seja imediatamente retirada da lista da ANVISA que determina sua proibição.

Pela criação de uma comunidade canábica autogerida. Acreditamos no desenvolvimento de grupos e espaços autônomos de cultivo, cooperativas canabistas que se associando livremente em redes corroborativas trabalhem na troca e disseminação de clones, sementes e flores, garantindo a subsistência dos espaços e suprindo a demanda de terceiros com dificuldades em obter a planta, como usuários medicinais e pessoas que necessitam da erva e tem pouca disponibilidade financeira.

Contra a política partidária. Anarcokunk não apóia nenhum candidato a qualquer cargo no Estado, sabemos que enquanto houver uma forma de administração do que é público baseada na centralização de poder na mão de poucos governantes vai haver privilégios, corrupção e desigualdades. Lutamos por outra forma de organização social, baseada numa administração popular realmente participativa e autogerida. AnarcoKunk é pelo não voto. Não legitimamos a farsa representativa com nossa luta, reivindicando atenção, ou tentando conquistar um lugar no poder que não reconhecemos. Nenhum político nos representa ou pode atender nossas demandas.

Pela ação direta. Nossa luta está pautada na desobediência civil e na ação direta, formas de resistência tradicionais na cultura canábica. Sabemos que se hoje a proibição da maconha é contestada no meio partidário é graças à décadas de desobediência civil e resistência cultural desvinculadas de partidos políticos.

Pela atuação junto à luta social. Sabemos que a proibição das drogas, em especial da maconha até hoje esteve diretamente relacionada ao racismo, a obscuros interesses do mercado capitalista e ao controle social através da criminalização da pobreza.Objetivamos buscar um diálogo e uma aproximação com outras lutas sociais, a fim de combater esses inimigos comuns, que são a real causa dos problemas que enfrentamos.

 

Contra o Espetáculo. Não contamos com a grande mídia como aliada em nossas ações. As demonstrações publicas realizadas pelo coletivo são destinadas as pessoas e não aos veículos de comunicação que espetacularizam, deturpando ou capitalizando tudo o que noticiam. Nos recusamos a fazer qualquer parceria com a mídia, isso inclui conceder informações sobre as ações e idéias do coletivo em entrevistas ou matérias de qualquer tipo e não exclui a possibilidade de ações de guerrilha midiática.

Contra a assimilação. Sabemos que o projeto de legalização das drogas e outras mudanças das normas do Estado propostas em função de nossa resistência é uma tentativa do sistema de se apropriar do que a princípio representa uma ameaça à ordem, minimizar seu potencial de contestação e se beneficiar disso politica e economicamente, portanto somos:

Contra a cooptação da luta canabista por partidos políticos

 

Contra a mercantilização da cultura pela industria 

 

Contra o estabelecimento do monopólio do cultivo e venda de maconha por parte do Estado ou indústria.


Contra o controle e patente de sementes.

 

Contra a implementação de leis que apoiem qualquer tipo de restrição à cultivos pessoais ou venda de maconha em ambiente doméstico.

 

Contra o controle e normatização da conduta de usuários, cultivadores e comerciantes da planta.

 

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