Moscas na Sopa. Um esclarecimento anarcokunk sobre a Marcha da Maconha e a política partidária.

4 maio

Vasculhando o vasto material de registro que juntei ao longo de 6 anos de ativismo na Marcha da Maconha, achei uma foto da marcha de 2008, que na verdade não aconteceu, foi proibida. Na foto se vê  três grandes bandeiras do PSTU sobre uma pequena aglomeração de manifestantes no Arpoador, local marcado pelos ativistas da maconha. Eu sabia perfeitamente que o partido ou os militantes presentes, não tinham nada a ver com a organização da manifestação,  pelo contrário, nunca haviam se envolvido, então, o que faziam ali em tanto destaque?

Como o mandato judicial expedido, proibia qualquer manifestação pela legalização da maconha, os ativistas canabicos tiveram que baixar suas bandeiras. Por isso apenas as despudoradas bandeiras vermelhas, com a enorme legenda do partido em amarelo  tremulavam no céu. Não durou muito tempo. Como era ano de eleição o TRE estava de olho na propaganda eleitoral irregular, e fez com que os três (únicos) militantes do partido, que portavam as três imponentes bandeiras, as tirassem do cenário que tinha se armado no Arpoador.

Esse dia deve ter sido de fato exaustivo para os fiscais do TRE. Horas antes em Copacabana acontecia a “Marcha da Família”organizada pela candidata a vereadora pelo DEM Sílvia Pontes. Em sua passeata  inicia um discurso afirmando que a manifestação não é politica e em seguida agradece diversos “colegas de trabalho”. A passeata também contou com a participação dos inexpressivos Integralistas que aproveitaram a mídia para tirar a bandeira do armário.

Esse formato de manifestação que foge ao padrão das manifestações organizadas por movimentos estudantis, partidos e sindicatos, onde os militantes não tem muita experiência em outros movimentos sociais, por ser uma novidade, atrai muita atenção da mídia, e é muito suscetível a ser cooptada por forças politicas que tem interesse em cima dos temas chave para promover candidatos. Recentemente um candidato a vereador do Partido Verde tentou levar as reuniões da Marcha da Maconha de Nova Iguaçu para dentro da cede do partido, atitude duramente combatida nos foruns e comunidades da internet. O partido que tentou se apropriar do ato em Nova Iguaçu foi responsável pela proibição do mesmo alguns anos antes em Curitiba. Isso deixa claro que não existe realmente uma posição clara sobre a manifestação, que é vista apenas como  uma plataforma eleitoral, cada vez mais popular.

“Paranhos entrou com o pedido pela manhã. Depois dele, o também deputado estadual Roberto Accioly (PV) protocolou no Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) um requerimento pedindo ao Ministério Público do Paraná que proibisse a “Marcha da Maconha”, programada para acontecer no próximo domingo, às 15 horas. “
http://www.band.com.br/noticias/cidades/noticia/?id=100000433275


C
omo nas primeiras edições os organizadores da Marcha eram anônimos por questão de segurança, algumas figuras ligadas a politica partidária sempre presentes, atraíram a atenção das câmeras e são constantemente associadas a manifestação, mas os mesmos nunca tiveram real envolvimento com a organização do ato.

 

2010 foi ano de eleições novamente, e a Marcha foi fortemente atrelada á campanhas políticas, dessa vez a vereadora Sílvia Pontes não se manifestou publicamente a respeito, mas integrantes do coletivo Marcha da Maconha RJ, passaram a ter a manifestação como principal foco de publicidade em suas campanhas, mesmo sobre protestos de  ativistas que não concordaram com o uso eleitoral da manifestação.

O uso partidário da maior manifestação da cultura canabica do Brasil tem gerado muitos debates dentro do movimento canabista.

Me pergunto quantas pessoas que foram até lá marchar no ano de 2010 imaginavam que acabariam numa propaganda eleitoral, apoiando candidaturas. Todos deveriam se perguntar quantos ativistas que botaram a Marcha onde está agora concordam com esse uso de seus trabalhos e luta. Sei que muitos não concordam. Eu sou um deles. Atrelar a Marcha, de modo tão forte a candidatos específicos de determinados partidos afasta militantes apartidários e anti-partidários, além de coloca-la junto a aquelas tradicionais manifestações ditas populares, mas na que na realidade  são incitadas por interesses partidários.

 

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